Morro do Pai Inácio

O dia amanheceu nublado e seguimos viagem até Lençóis. No ribeirão de baixo, encontramos um senhor já bem de idade, o Seu José, que garimpava solitário um punhado de cascalhos em busca do tão sonhado diamante. A vida desse povo é, em geral, tão dura, que eles vêem no diamante a salvação de todos os problemas e a possibilidade de começar uma nova vida. Só que hoje, depois de anos de exploração, é quase impossível encontrar alguma coisa por aqui. É uma pena e dói ver a esperança nos olhos de Seu José, que garimpa certo que “se não for hoje, um dia o diamante aparece”.

Dali, fomos meio tristes para Lençóis e foi um choque MUITO grande quando chegamos. A cidade estava lotada de gente, tudo congestionado, carros estacionados por todos os lados, uma confusão! A cidade cresceu muito desde 1998, agora se vêem pousadas, lojas de equipamentos, mercados, e agências de turismo para todo o lado. Ficamos completamente baratinados e não sabíamos direito o que fazer. Almoçamos e resolvemos sair correndo dali.

Pegamos a estrada e fomos em direção ao Morro do Pai Inácio. Até lá, convenci o Renato a ir visitar o Poço Verde, um lugar lindo que eu tinha conhecido da outra vez, mas que só é possível se chegar de 4 x 4. Ele reclamou o tempo todo, pois a estrada parecia que ia desmontar a Land, mas eu frisava a todo momento que ele ia adorar o lugar, que o poço era verdadeiramente verde e que valia a pena todo o sacolejo. Quando vimos o rio, não entendi, pensei que estivéssemos no lugar errado. O rio estava marrom, como se a areia no fundo tivesse sido remexida e turvado toda a água. O poço verde estava marrom. Fiquei muito decepcionada e o máximo que pude fazer foi prometer ao Renato que mostraria fotos do lugar quando chegássemos em casa, para que ele visse que, pelo menos naquela época, o passeio valia e MUITO a pena.

Como recompensa, vimos um maravilhoso pôr-do-sol de cima do Morro do Pai Inácio – o cartão postal da Chapada Diamantina.

No retorno, a dúvida: voltar a Lençóis e enfrentar toda aquela bagunça ou seguir viagem? Resolvemos sacolejar mais alguns quilômetros (só que agora à noite) e chegar à Vila de Capão (ou Guiné). Só que na época de São João nada é fácil: até lá passamos um aperto para conseguir algum lugar para dormir – estava tudo lotado. Até que achamos uma pousadinha bem simples (mas que nos cobrou bem caro!) para dormir. Não gostei muito, mas, enfim, era o que tinha.

A grata surpresa foi o café da manhã que nos ofereceram: um dos melhores de toda a viagem, com muitas coisas típicas e tudo fresquinho! Ótimo. Comemos bastante e fomos enfrentar a subida danada até a Cachoeira da Fumaça.

Quando chegamos lá em cima, o Renato foi logo se deitando para poder ver a cachoeira, num desfiladeiro de 400 metros! Meu coração parecia que ia disparar. Não agüentava vê-lo ali, fazendo fotos dependurado no abismo! O pior foi quando ele fez com que eu segurasse o tripé para ele poder se posicionar melhor. Eu segurava o tripé e ao mesmo tempo chorava de medo. Foram minutos angustiantes, e só o que eu pedia era que o filme acabasse logo para ele sair dali. Quando ele finalmente saiu, eu o abracei e aí chorei mais ainda. Nem preciso dizer que eu, pela segunda vez visitando a Chapada Diamantina, não vi a Cachoeira da Fumaça.

Compartilhar no facebook
Compartilhar no google
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
EnglishPortuguese