Lençóis Maranhenses – MA

Cada vez mais próximo de ver o sonho realizado – Rumo a Barreirinhas, MA

Às 10:30, tomamos o rumo de Barreirinhas. Nem acreditava que finalmente eu ia conhecer os Lençóis Maranhenses. Há 4 anos que sonho em visitar esse lugar e quanto mais o tempo passava, mais difícil parecia chegar até aqui. Mas, agora, a cada quilômetro rodado, ficávamos cada vez mais perto das dunas brancas do Maranhão.

A estrada é asfaltada até Tutóia, mas com alguns trechos bem ruins, cheios de buracos e sem acostamento. De Tutóia, a estrada até Paulino Neves não é asfaltada mas está em boas condições e é bem marcada. A partir dali é que a viagem não continua sem um guia.

Não existe uma estrada até Barreirinhas e sim várias trilhas de areia que se interligam e se afastam criando um verdadeiro labirinto impossível de ser desvendado sozinho. Tivemos que seguir uma Toyota que se dirigia a Barreirinhas para ter certeza que chegaríamos lá. Foram mais de 1 hora e meia de muito sacolejo, mas conseguimos fazer os 30 quilômetros de maneira super tranqüila e chegamos às 16 horas em Barreirinhas. Logo fomos para a casa da Kimiko, amiga do Renato, ficamos lá jogando conversa fora e depois ela foi nos levar até a pousada que tinha reservado para nós.

A Pousada Encantes do Nordeste fica um pouco longe do centro da cidade e nem tinha sido inaugurada ainda, razão pela qual nem poderiam nos servir café. Por isso, poderíamos fazer as refeições nós mesmos com o fogareiro, na varanda do chalé.
E assim foi, como estávamos muito cansados, resolvemos fazer uma massinha a luz do luar. Mal tínhamos começado, quando o Renato deu um pulo, derramou a água do macarrão e deu um grito: uma enorme cobra coral passava por nós e descia as escadas rumo ao rio. Apesar do susto, ela pareceu nem se importar com a nossa presença e seguiu seu caminho. Por via das dúvidas, a gente deu uma revistada no quarto antes de dormir.

Valeu a pena esperar 4 anos
Nossa estada em Barreirinhas acabou sendo mais longa do que esperávamos. Quando mais ficávamos, menos queríamos ir embora. Dia a dia, descobríamos lugares cada vez mais bonitos e surpreendentes. Logo no primeiro dia, de manhã cedo, fizemos um sobrevôo na região dos Lençóis. Eu nunca tinha voado com bimotor e estava muito insegura, ainda mais quando o Renato pediu para o piloto tirar a porta do avião para poder fotografar melhor.
A apreensão era grande, mas a vontade de conhecer os Lençóis por cima era maior ainda, então respirei fundo, afivelei bem o cinto e encarei o desafio.

O vôo foi maravilhoso. Vimos todos os vilarejos que ficam às margens do Rio Preguiças (Mandacaru, Caburé e Atins) e depois entramos na região das dunas e aí… foi só emoção. Foram vários minutos voando sobre as dunas, entrecortadas por várias lagoas de águas claras. A paisagem era surpreendente e a vontade era de não sair mais dali. Começamos muito bem nossa visita e tudo parecia ficar ainda melhor.

Após o vôo, colocamos a Land à prova. Fomos até o povoado de Atins, na foz do Rio Preguiças. É uma das piores trilhas da região: são mais de 40 quilômetros de muita areia e várias poças d’água, onde passávamos com água pelo capo – muitas vezes parecíamos mais um submarino! A aventura valeu a pena e mostrou que o Renato é muito melhor motorista de 4 x 4 do que ele mesmo imaginava: não atolamos uma vez sequer!!
Em Atins, fizemos um pequeno passeio ao Poço das Pedras, um lago de águas azuis no meio das dunas: só um aperitivo para o que íamos ver dias depois.

Na volta a Barreirinhas, fomos ver o pôr-do-sol na Lagoa Azul, e aí tivemos o gostinho de ver de perto aquilo que já tínhamos visto lá de cima. Aos poucos o sonho ia se realizando.

Ao invés de chacoalhar a Land por mais um dia, resolvemos fazer os passeios às Lagoas Bonita e Azul (de novo!). O grande problema foi que saímos tarde (meio-dia) e chegamos à Lagoa Bonita próximo ao meio-dia. Apesar do calor, do cansaço de ter subido uma duna íngreme de 40 metros, a visão lá de cima fazia a gente ter certeza do que tinha ia fazer lá: é uma seqüência infindável de dunas e lagoas a se perder de vista.

A paisagem é realmente diferente de tudo o que se pode imaginar e, ali na Lagoa Bonita, tem-se ainda mais a sensação de se estar no deserto, pois há pouca vegetação por perto. Acabamos ficando muito pouco tempo por lá e saí com uma sensação de que não era justo ter sonhado tanto tempo com os Lençóis Maranhenses e ter ficado tão pouco tempo nas dunas.
No dia seguinte, fizemos o passeio pelo Rio Preguiças e passamos pelos povoados de Vassouras (pequenas dunas com lagoas), Mandacaru (farol com vista para o Rio Preguiças e Caburé) e Caburé, onde almoçamos.

Lagoa Bonita
Teoricamente, iríamos embora no dia seguinte, mas seria impossível sair sem ver, por mais uma vez, a Lagoa Bonita pela terceira vez. Acordamos muito cedo, pegamos o Adriano (nosso guia) no centro de Barreirinhas e seguimos para a Lagoa Bonita. Chegamos lá às 8 horas e, com a luz suave da manhã, as dunas ficaram ainda mais bonitas com uma coloração mais amarelada e podíamos ter uma melhor noção da imensidão do deserto.

O melhor de tudo é que estávamos completamente sozinhos, a sensação era de ter os Lençóis só para nós: caminhamos muito, fotografamos muito, e tomamos muito banho de lagoa, mas o mais importante é que ficamos muito tempo sem fazer absolutamente nada. A manhã foi maravilhosa e só saímos de lá por volta das 13 horas, quando os grupos de turismo chegaram e acabaram com a nossa fantasia de paraíso.

Agência Mandacaru em Barreirinhas.

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