Jalapão – TO

Foram 4 dias viajando pelas estradas esburacadas e pouco sinalizadas do Jalapão. Mas o charme do lugar é esse mesmo: guardar bem escondido uma área praticamente intocada. E, como se não bastassem as dificuldades naturais do Jalapão, fizemos alguns trechos à noite: quando escurece, tudo parece mais longe e os caminhos parecem se multiplicar. Durante 3 dias acampamos ao lado da casa de moradores locais, sempre à beira de rios simplesmente maravilhosos, com águas mornas (bem diferente da Chapada dos Veadeiros) e cristalinas.

No primeiro dia, chegamos à noite no nosso local de acampamento e de longe vimos umas luzes estranhas na frente da casa: quando nos demos conta, estávamos ao lado de um pequeno cemitério iluminado por velas que resistiam ao vento forte. Mas não adiantava, aquele era o melhor lugar para ficar: armamos a barraca e durante todo o tempo que ficamos ali, ficamos de costas para o local tenebrosamente iluminado e assim quase conseguimos esquecer que ele existia. O céu estava lindo e o Renato aproveitou para fazer fotos com longa exposição das estrelas.

Nesses 4 dias, visitamos a Cachoeira da Velha, o Fervedouro, as Dunas (cor de laranja) e a Cachoeira da Formiga.

Parecem poucos atrativos para tanto tempo de viagem, mas, no Jalapão, leva-se quase um dia todo para percorrer 150 km. Durante esses dias, sempre íamos encontrando pessoas especiais, como o Seu Manoel, boiadeiro, que pediu que avisássemos a Dna. Maria (a que mora ao lado do cemitério) que ele chegaria para o almoço 3 dias depois (um percurso que nós fizemos em meio dia) e a própria Dna. Maria que, há 34 anos, mora completamente sozinha no meio do deserto do Jalapão.

De tudo, o que mais nos custou deixar para trás foram as águas maravilhosamente azuis da Cachoeira da Formiga – lugar encantado e, por enquanto, eleito o melhor banho de rio da viagem. Tantos rios, só poderiam trazer enxames de mosquitos loucos por sangue novo: hoje pela manhã, quando eu tomava banho no Rio do Sono, uma moradora se espantou com as minhas pernas: eram tantas as mordidas de mosquito que ela não duvidou e disse: Ih! Estragou tudo!!!!

No meio de tanta coisa boa, tivemos um pequeno contratempo: a nossa câmera digital não resistiu e também quis tomar banho nas águas do Rio Novo. Ou seja, não vamos ter muitas fotos do Jalapão para mostrar: o que vai deixar vocês com mais água na boca ainda (deixamos a máquina desligada por três dias para secar bem….voltou a funcionar….mas parece que afetou o foco …uma pena.

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