Mucugê

Mucugê: a cidade mais encantadora da Chapada

Mucugê nos seduziu logo de início: cidade pequena, ainda sem os deslumbramentos do turismo de massa de Lençóis, com as casas preservando a arquitetura antiga e praças com pequenos coretos. Mucugê ainda está meio fora dos roteiros da Chapada. Nós mesmos passamos por ali sem saber ao certo o que nos esperava, quando fomos surpreendidos pela quantidade de atrativos ecoturísticos que existe na região. Ficamos 2 dias e meio por ali, mas poderíamos ter ficado bem mais.

Na realidade, saímos dali meio que fugidos do barulho excessivo da Festa de São João. A princípio não tínhamos nos dado conta que o feriado de Corpus Christi iria emendar com as festanças de São João! Na cidade (cujo padroeiro, é lógico, é São João), 3 palcos já tinham sido armados, onde seriam realizados shows a noite inteira. Detalhe: um dos palcos era do lado do nosso hotel!

Para comemorar a quinzena em homenagem a São João, todos os dias, às 5 da manhã a Banda da Sociedade Filamôrnica saía pelas ruas tocando belas marchinhas e convocando os moradores para tomar um café da manhã coletivo em frente à igreja. Claro que tudo isso embalado com um foguetório que começava (incrível!) às 4:30!!! Lógico que dormir, nem pensar!

Para quem gosta do agito, da alegria do forró e dos quitutes juninos típicos como Bolo de fubá, curau, amendoim e milho cozido, Mucugê e Lençóis são os lugares perfeitos. Mas se você quer descansar, venha depois das Festas de São João.

Mas, quando o dia amanhecia, e nós íamos caminhar pelas trilhas, o cansaço pela noite mal dormida passava. Conhecemos as cachoeiras do Projeto Sempre Viva que fica bem próximo à cidade. O Projeto estuda uma espécie de sempre-viva endêmica da região de Mucugê e que está quase em extinção devido à coleta indiscriminada: na época pós-garimpo, a coleta desse tipo de planta foi uma alternativa econômica para os moradores da região. Dentro da área do Projeto, existem duas cachoeiras deliciosas (Piabinhas e Tiburtino) e de acesso super fácil.

No outro dia, cansados de moleza, fomos fazer a trilha para a Cachoeira dos Cristais. Essa cachoeira foi descoberta há menos de 2 anos por um guia de Igatu chamado Chiquinho, que conhece cada palmo dessa região. Até hoje, poucas pessoas conhecem o lugar, e isso dava um gostinho a mais à caminhada. Fizemos a trilha com um casal de Minas, o Léo e a Patrícia, que foram ótimas companhias. Foram 3,5 horas até a Cachoeira dos Cristais, e não é só a cachoeira que é espetacular, todo o trajeto é lindo, principalmente o cânion que fica bem no final da trilha. O banho gelado serviu como estímulo para enfrentarmos o retorno… onde teríamos uma subida pela frente.

Se não bastasse tudo isso, Mucugê ainda abriga o famoso Cemitério Bizantino, que fica bem na entrada da cidade: o cemitério foi criado em 1847 por europeus que moravam na região (por isso o estilo gótico dos túmulos) e desde então é o único cemitério da cidade. Por ser tão bonito e um testemunho da história da região da Chapada, ele foi tombado pelo Patrimônio Histórico Nacional na década de 1980. No entanto, o mais interessante e curioso é saber como é o funcionamento de tal “condomínio” (aqui, Rogério, mais do que em qualquer outro lugar, a denominação “condomínio” encaixa-se bem!). Como a área é pequena, quando a pessoa morre, ela é enterrada nos túmulos maiores e mais bonitos que ficam na frente. Passados 4 anos, os restos são retirados e depositados em túmulos menores mais atrás, abrindo vagas para os novos “felizardos”.

Ah, e quase ia me esquecendo do caminhão fumaceiro. Por causa dos mosquitos na cidade, passa um caminhão soltando veneno pelas ruas… É assim mesmo, se você estiver caminhando na rua, vai levar uma baforada de Baygon na cara. Nós estávamos no restaurante quando fomos surpreendidos pela nuvem branca. Mucugê tem dessas estranhezas, mas também é por isso que gostamos tanto dela.

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