Bonito

Um mergulho no reino de águas claras

CACHOEIRAS / ESPELEOMERGULHO/ RAPPEL / OBSERVAÇÃO DE FAUNA

Já se foi o tempo em que Bonito era uma pequena e pacata cidade do interior do Mato Grosso do Sul. Dona da maior visibilidade de água doce do mundo, a cidade virou o paraíso das águas. A transparência dos rios de Bonito deve-se à grande quantidade de calcário existente na água, que impede que qualquer tipo de partícula fique suspensa.

Os passeios de flutuação são os mais procurados: com equipamento de mergulho livre, a única preocupação é deixar o corpo ser levado pela correnteza. A primeira sensação é de tirar a cabeça rapidamente debaixo d’água, tamanha a surpresa. São centenas de peixes, como piraputangas, corimbás, dourados, pacús e pintados, que desviam de nós, quase que alheios a nossa presença. A vegetação subaquática forma uma espécie de floresta com diversos tipos de plantas que se movimentam no ritmo calmo das águas dos rios.

É possível ainda fazer rafting e bóia-cross nas águas calmas do rio Rio Formoso ou passar o dia curtindo as muitas cachoeiras do Rio do Peixe, do Rio da Prata ou do Balneário Municipal entre outras tantas opções de passeios que existem em Bonito.

No entanto, mais fascinante do que todos os atrativos de Bonito é a Gruta do Lago Azul. Uma caverna com 100 metros de largura e 30 metros de altura, uma das mais bonitas do Brasil, leva o título de maior galeria submersa do mundo. Ao chegar à beira do lago (totalmente azul), aquela beleza, ao mesmo tempo que fascina, confunde. A sua coloração azul intensa faz com que a profundidade do lago pareça bem menor do que realmente é.

Bonito sempre foi lembrada por ser o paraíso das águas, mas hoje a cidade também é sinônimo de emoção. Na Fazenda Serra Aventura, as paisagens da Serra da Bodoquena são vistas de cima, em um vôo livre que é pura adrenalina. Existem ainda trilhas para os adeptos do mountain bike e, para aqueles que querem sentir mais de perto o cerrado, com seus cheiros, seus sons e sua fauna, a fazenda criou um trekking de longa duração com pernoite no meio da mata.

O auge da emoção fica por conta com os rappels do Buraco das Araras e do Abismo Anhumas.

O Buraco das Araras tem 160 metros de diâmetro e 124 metros de profundidade e são, justamente, estes 124 metros que são descidos de rappel. Mas vale a pena. Em uma caminhada pelo fundo da cavidade, pode-se avistar araras, gralhas, jacarés e até sucuris.

O Abismo Anhumas leva a uma caverna submersa. A descida é menor: “apenas” 72 metros. Nos 10 primeiros metros, a cavidade é estreita, mas depois as paredes se afastam e o lago interno, do tamanho de um campo de futebol, aparece. A descida vale por si só. Desça lentamente para poder aos poucos ir assimilando toda a beleza do lugar. Lá embaixo, pode-se ainda mergulhar com equipamento de mergulho livre ou autônomo. Vale lembrar que não é recomendável gastar todas as energias caminhando pelo Buraco das Araras, nem nadando pelo lago do Abismo Anhumas, afinal a subida será da mesma maneira!

Depois que o sol se põe, a aventura continua em Bonito. Deixe o medo de lado e aproveite para flutuar no rio Sucuri ou fazer rafting no rio Formoso. E descubra outros sons, outros animais e outras sensações que só aparecem quando a noite cai. Ou seja, Bonito é um lugar capaz de agradar todos os gostos. Desde os mais radicais, até aqueles que simplesmente querem curtir o lugar, que não é só bonito, é MARAVILHOSO.

Dicas:

  1. Os passeios de flutuação são feitos no Aquário Natural (uma das águas mais transparentes do mundo), nos rio da Prata, Formoso, Sucuri e no Balneário Municipal. No Balneário, a entrada é mais barata, mas a extensão do passeio também é menor. A dica é escolher um dos outros passeios e, se sobrar tempo, ir ao Balneário curtir a piscina natural cheia de piraputangas.
  2. O espeleomergulho é realizado nos seguintes locais:
    – Abismo Anhumas
    – Lagoa Misteriosa: lagoa escondida de difícil acesso e cuja profundidade ninguém nunca conseguiu definir. Há registros de que já se tenha chegado a 220 metros.
    – Fazenda Ceita Corê: mergulho em cavidade inundada com profundidade de 90 metros.
    – Gruta do Mimoso: uma das mais procuradas pelos mergulhadores.
  3. Não deixe de aproveitar a culinária local, que é farta e muito gostosa. Prove o famoso pacu recheado com farofa, do Restauramte Tapera, mas encomende com antecedência.
  4. Não deixe de provar o tereré, uma espécie de chimarrão feito com água fria e limão.
  5. Os passeios não são baratos custam entre R$ 25,00 e R$ 100,00 e reservas são necessárias para não perder a viagem.  O rappel no abismo Anhumas é o passeio mais caro, pois exige equipamento especial e guias especializados.
  6. Todos os passeios localizam-se em fazendas distantes da cidade. Caso não tenha alugado um carro, procure uma das mais de 20 agências de turismo da cidade e junte-se a algum grupo.

Observações: 

A estrutura do ecoturismo é muito rígida, por isso todos os passeios são SEMPRE realizados na companhia de guias credenciados.

Como Chegar:
São 300 km de Campo Grande.  De carro pela BR 262 até Anastácio.  Depois segue-se pela BR 419 até Guia Lopes da Laguna. Dali, são mais 54 quilômetros até Bonito, estrada totalmente asfaltada. Outro acesso é pela BR-060, passando por Nioaque e Jardim.

Onde ficar:
A cidade tem uma ótima infra-estrutura de turismo com mais de 4.000 leitos.
Existem pousadas para os mais diferentes gostos.
Algumas boas opções são:
Tapera Hotel: (67) 3255-1700
Fazenda Cachoeira: (67) 3255-1213
Pousada Olho D’Água: (67) 3255-1430
Albergue da Juventude, recentemente inaugurado: (67) 3255-1462 / 3255 1022

Para os adeptos do camping, procure o Balneário Municipal.
Se ainda assim estiver difícil achar um lugar para ficar, os moradores da cidade geralmente colocam casas à disposição dos turistas.

Quando ir:
Entre maio e dezembro o tempo é mais estável. Para mergulhar, prefira os meses da primavera: entre agosto e outubro. Mas é entre novembro e março, justamente a época do ano que mais chove, que é possível assistir ao espetáculo dos raios de sol entrando na gruta do Lago Azul (entre as 8 e 9 horas). Se puder evite os meses de maior concentração de turistas: janeiro, fevereiro e julho. Nesta época do ano, os passeios ficam lotados e precisam ser agendados com antecedência.

O que não pode faltar na mochila:
Roupa de banho, repelente (imprescindível!), tênis confortável, câmera fotográfica aquática (mesmo que sejam as descartáveis), boné e lanterna.

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